Procedimento com hormônios transmite Alzheimer, diz pesquisa

Pesquisadores da University College London relataram a primeira evidência de transmissão de Alzheimer de humano para humano. O estudo mostra como o tratamento com hormônio de crescimento – atualmente proibido – transplantou proteínas tóxicas em crianças, o que causou o desenvolvimento precoce da doença.

Para quem tem pressa:Pela primeira vez, pesquisadores da University College London encontraram evidências de transmissão de Alzheimer de humano para humano. O estudo, publicado no periódico Nature Medicine, vincula o tratamento com hormônio de crescimento humano, extraído de cadáveres, ao desenvolvimento precoce da doença de Alzheimer em crianças;Este hormônio, utilizado por cerca de 25 anos a partir do final dos anos 1950, já foi associado à doença de Creutzfeldt-Jakob. Pesquisas recentes indicam que o hormônio também pode ter transmitido proteínas amiloides, associadas ao Alzheimer;Análises de oito pacientes tratados na infância com o hormônio de crescimento humano revelaram problemas neurológicos e diagnósticos de demência precoce, sugerindo um potencial desenvolvimento de Alzheimer;Apesar da descoberta, especialistas como Andrew Doig e Susan Kohlhaas alertam contra a extrapolação dos resultados, salientando que os casos são raros e baseados em um método de tratamento que foi descontinuado há mais de 40 anos. Eles também enfatizam que não há evidências de transmissão de Alzheimer através de atividades cotidianas ou procedimentos médicos atuais.

A pesquisa, publicada no periódico Nature Medicine, sugere que o Alzheimer, assim como a doença de Creutzfeldt-Jakob, tem formas adquiridas “no ambiente”. Os cientistas enfatizam a necessidade de revisar as medidas para prevenir transmissões acidentais por meio de procedimentos médicos e cirúrgicos.

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Transmissão de Alzheimer(Imagem: National Institute on Aging/NIH)

Durante cerca de 25 anos, a partir do final dos anos 1950, o hormônio de crescimento humano foi usado para tratar crianças com problemas de desenvolvimento físico. Esse hormônio, derivado de cadáveres, foi associado ao desenvolvimento da doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurodegenerativa fatal causada por proteínas mal dobradas, chamadas príons.

A evidência que ligava o hormônio de crescimento humano à doença de Creutzfeldt-Jakob levou à substituição do hormônio por uma versão sintética mais segura. Mais recentemente, pesquisadores encontraram sinais da doença de Alzheimer em tecidos cerebrais de pacientes que morreram de Creutzfeldt-Jakob, levantando a questão de se o Alzheimer poderia ser transmitido de humano para humano.

Embora os pacientes tenham morrido jovens devido à doença de Creutzfeldt-Jakob, tornando impossível saber se desenvolveriam Alzheimer, estudos subsequentes revelaram que algumas amostras do hormônio de crescimento continham acúmulos de proteínas amilóides. E testes em animais mostraram que ratos administrados com o hormônio contaminado desenvolveram sinais de Alzheimer.

Os pesquisadores analisaram oito pacientes tratados na infância com o hormônio de crescimento que agora têm idade entre 38 e 55 anos. E eles apresentam problemas neurológicos. Cinco desses pacientes foram diagnosticados com demência precoce, mas não mostraram sinais patológicos de Creutzfeldt-Jakob. Assim, enquadraram-se nos critérios de diagnóstico de Alzheimer sem predisposição genética para a doença.

Contrapontos

Andrew Doig, da Universidade de Manchester, também da Inglaterra, considera os novos achados importantes cientificamente. Mas adverte contra a extrapolação dos dados, que se baseiam em apenas oito casos raros. Em entrevista ao New Atlas, ele nega que há motivo para temer este novo tipo de Alzheimer porque a causa foi eliminada há mais de 40 anos.

Susan Kohlhaas, da Alzheimer’s Research UK, concorda que os achados demonstram uma instância extremamente rara de transmissão humana do Alzheimer. E observa que é improvável que casos semelhantes ocorram atualmente. Ela espera que a descoberta ajude a direcionar pesquisadores para novos tratamentos, fornecendo novas percepções sobre a progressão da doença. Kohlhaas ressalta que não há evidências de transmissão da doença por meio de atividades diárias ou procedimentos médicos rotineiros.

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