Pesquisa revela franchising maduro e franqueado profissionalizado

Estudo mostra que cresce o número de franqueados mutiunidades e multimarcas no País

Na pesquisa, 43% dos franqueados avaliam abrir mais de duas unidades simultaneamente | Crédito: Ingram Publishing

O sistema de franquias brasileiro se mostra um dos mais bem-sucedidos do mundo. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelam que em 2022, o faturamento do setor no Brasil foi de mais de R$ 211,5 bilhões. Na ponta do modelo de expansão por franchising, responsáveis pelo atendimento aos clientes, estão os franqueados. Ainda pouco estudados, eles são responsáveis pelas 188.878 unidades franqueadas contabilizadas em agosto de 2023 e responsáveis por gerar 1,62 milhão de empregos diretos.

Para entender quem são, quais as suas necessidades e visão de futuro, a CommUnit, em parceria com a Hibou, lançou a primeira edição da pesquisa nacional “O Perfil do Franqueado & Multifranqueado”. Os dados coletados mostram que os franqueados brasileiros estão otimistas quanto ao futuro e satisfeitos com os resultados do modelo. Tanto que boa parte pensa em expandir e comprar novas unidades da marca que já operam ou se lançar em novos segmentos.

De acordo com o CEO da CommUnit, Denis Santini, conhecido por sua organização e potência econômica, o franchising brasileiro vem despontando como um mercado maduro, com franqueadoras e franqueados cada vez mais profissionalizados. O número de multifranqueados – mono ou mutimarcas – crescente é uma demonstração.

54% dos franqueados possuem, investem e/ou operam uma única unidade franqueada.

26% são multifranqueados monomarca: possuem mais de uma unidade, todas da mesma marca.

20% são multifranqueados multimarca: possuem mais de uma unidade, de diferentes marcas.

Ao mesmo tempo, 50% têm o desejo de abrir mais unidades. 27% está na dúvida e respondeu “talvez” e 23% não demonstram interesse. Dos que têm uma posição firme, 21% planejam fazer esse investimento em menos de seis meses e 31% entre seis meses e um ano.

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“Esses resultados demonstram que estamos trilhando um caminho de amadurecimento e descobrindo o franqueado profissional, ou como gosto de dizer, o franqueado de alta performance. Ele já experimentou o sistema, tem bons resultados e ajuda a franqueadora, encurtando a curva de aprendizado e servindo como inspiração para toda a rede. O franqueador é o estratégico e o franqueado o tático do sistema. Quando estão alinhados, conquistam grandes resultados. Por isso os franqueadores estão entusiasmados com os franqueados profissionais. A pandemia acelerou todos os processos, inclusive a profissionalização do mercado de franchising. Agora é fundamental revisitar as operações, pensar em abrir mais unidades porque as margens diminuíram para todo mundo”, explica Santini.

Para ganhar escala no franchising, franqueados seguem fiéis às marcas

Na hora de expandir, o pensamento monomarca impera. 70% querem empreender no mesmo segmento em que já atuam; 12% em segmento diferente e 18% ainda não sabem. 65% com a mesma marca; 15% marca diferente e 20% ainda não decidiram.

Outro dado, em certa medida, surpreendente, é que 43% dos franqueados avaliam abrir mais de duas unidades simultaneamente.

Sobre os valores a serem investidos, 24% vão investir até R$ 100 mil; 28%, entre R$ 100 mil e R$ 300 mil; 22%, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil; 16%, entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão e 9% mais de R$ 1 milhão.  

“As franqueadoras enxergam como oportunidade ajudar o franqueado a ser mais competente. Muitas já têm uma agenda e oferecem subsídios para que os franqueados tenham mais de uma unidade. O franchising é um modelo que preza pela segurança que a manualização traz e, por isso, o franqueado prefere crescer dentro da marca em que já atua ou pelo menos no mesmo segmento. Ele consegue potencializar seus resultados porque ganha escala, conseguindo compartilhar estrutura e pessoal”, pontua o CEO da CommuUnit.

Crédito: Junior DantasFranqueados buscam segurança e retorno financeiro

A pesquisa “O Perfil do Franqueado & Multifranqueado”, realizada pela CommUnit, em parceria com a Hibou, também se dedicou ao perfil gerado do franqueado, seja ele de primeira viagem, aquele que, por enquanto, se dedica a apenas uma unidade ou o multiempreendedor.

O setor apresenta equilíbrio na questão de gênero, com leve vantagem para as mulheres, encabeçando 54% das unidades franqueadas. Parte da explicação está no ranking dos setores com maior número de unidades. Os cinco primeiros colocados – da lista de 15 segmentos –  que somam 89% do total de unidades, tem relação com atividades historicamente exercidas por mulheres: Alimentação, com 36%; Moda (vestuário, calçado, acessório, bijuteria e joalheria); 20% e Serviços Educacionais, 14%; Beleza e bem-estar, perfumaria, massagens e cuidados pessoais, 11%; Limpeza e Conservação, 8%.

Apesar do volume, mesmo no franchising, as mulheres seguem esbarrando em antigas barreiras estruturais. Quando o recorte é o de multifranqueados, os homens voltam a ocupar a maioria dos postos.

Sobre as razões para ingressar e se manter no ramo de franquias, os franqueados responderam: já ter todo o negócio estruturado, 51%;  era uma marca que já gostava/confiava na ocasião, 48%; maior segurança na hora de empreender, 42%; já começar tendo uma previsão do retorno (payback) definido, 17%; começar a operar mais rápido, 14%;  acompanhar os resultados de amigos/conhecidos com suas franquias, 11%; outros, 4%.

Franqueados disseminam boas práticas

Para o CEO da CommUnit, Denis Santini, o amadurecimento do setor também se demonstra em temas comuns como sucessão e ESG. 36% já planejam a sucessão: 15% com foco em profissionais e carreira e 21% com foco familiar. 

Sobre responsabilidade socioambiental e governança (ESG), o pensamento existe, mas depende muito da franqueadora para ter adesão. 

35% dizem estar alinhados com a franqueadora e seguir suas orientações neste assunto; 

17% executam algumas atividades; 

14% têm o ESG entre suas prioridades; 

11% pensam, mas ainda não têm ações estruturadas; 

11% não têm planos a respeito; 

8% estão planejando;

5% dizem que o tema não tem relação com ESG.

“Nunca o senso de comunidade foi tão relevante. Esses franqueados profissionais falam em ESG, em desenvolvimento local e, nesse sentido, mostra o grau de maturidade do empreendedor brasileiro se destacando. O conceito do franchising é replicar bons negócios e, agora, também boas práticas, aproveitando a sua capilaridade. A pandemia acelerou a interiorização dos negócios. Se as franqueadoras não olharem para o interior e as comunidades afastadas dos centros, não terão sucesso. O franchising precisa ser um fomentador de negócios fora do óbvio”, completa Santini.

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