Pesquisa feita no PCT Guamá identifica propriedades benéficas à saúde no chocolate paraense e subprodutos do cacau

O consumo pode auxiliar na prevenção de diversas doenças como diabetes, câncer ou Alzheimer

Por Sérgio Moraes (PCTGuamá)

06/02/2024 08h00

De que forma o consumo de chocolate pode influenciar a saúde de pessoas com diabetes, câncer ou Alzheimer, além de prevenir o surgimento de doenças? A pergunta foi o ponto de partida para os estudos de Giulia Lima, pesquisadora do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), laboratório da Universidade Federal do Pará (UFPA) e instalado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá. A pesquisa busca avaliar a quantidade de compostos benéficos presentes no cacau paraense e em seus subprodutos, como chocolate, manteigas, chás, entre outros.

Ao longo da história, há registros de que o cacau vem sendo utilizado para tratar uma ampla variedade de doenças e, recentemente, os estudos fornecem evidências de que ele realmente oferece benefícios para a saúde porque possui diversos compostos bioativos. Isso se dá em função das propriedades antioxidantes das amêndoas, que combatem radicais livres do corpo, influenciam o sabor da iguaria e são maiores até mesmo que as do vinho e chá verde. Giulia explica que a análise de compostos bioativos é essencial para melhorar a produção e atestar a qualidade das amêndoas.

“O cacau tem vários compostos bioativos diferentes com funções positivas para o organismo. Por isso é importante fazer essa qualificação. Por exemplo, se quisermos produzir um chocolate funcional que previne o envelhecimento precoce e o desenvolvimento de diversas doenças, incluindo câncer e doenças cardíacas, é possível escolher as amêndoas de cacau que possuem maior quantidade desses compostos para atender a necessidade dos consumidores que têm interesse nessas propriedades”, explica Giulia.

De acordo com a pesquisadora, é possível aproveitar melhor as propriedades do cacau consumindo produtos derivados menos processados, como os nibs. Se optar pelo chocolate, que contenha entre 70% e 80% de cacau. A intenção no laboratório é selecionar as amêndoas para manter os benefícios medicinais no produto final, evitando perdas nas etapas de processamento.

A pesquisa é realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que forneceram amostras de 19 tipos de cacau dos 20 mais produtivos.

Protagonismo paraense

O estado do Pará é o maior produtor de cacau no país, responsável por 50,32% da produção nacional, de acordo com Levantamento Sistemático de Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), e conta com o maior banco de material genético do fruto do mundo, abrigando mais de 53 mil plantas. Os frutos analisados pela pesquisadora são todos da espécie Theobroma cacao L.

Giulia explica que as diferenças no sistema de produção do cacau no Estado influenciam diretamente o produto final. “Aqui no Pará nós temos o cacau de várzea, que cresce em áreas alagadas e não existe em nenhum outro lugar no mundo. Como o cacau é uma planta nativa, ele cresce perto de outras espécies, o que faz com que a amêndoa e o fruto tenham, por exemplo, notas de banana por crescer perto de uma bananeira. Ele tem propriedades aromáticas e nutricionais únicas”.

No PCT Guamá, o Laboratório de Análise Sensorial do Cvacba oferece suporte e tecnologia de ponta para os produtores de cacau, fornecendo a certificação que garante a qualidade do produto final em todas as suas características, como sabor, cheiro, odor, cor e textura.

“Recebemos amêndoas do lote de um produtor e fazemos a avaliação para definir se a matéria-prima dele é segura para a produção de chocolate. Há critérios sobre isso. Minha pesquisa auxilia nessa resposta ao produtor, que irá saber qual é o melhor tipo de amêndoa para produzir o que ele planeja e o mercado demanda”, conta a pesquisadora.

O Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia

Atua em áreas como bioprospecção de espécies e controle de qualidade de materiais de origem vegetal, com serviços de atividade residual enzimática, análises de cacau, chocolate e derivados, açaí, entre outros.

Projetos privados e públicos, vinculados ou não ao parque, podem acionar o PCT Guamá e seus laboratórios. Interessados devem entrar em contato pelo e-mail servicos@fundacaoguama.org.br ou pelos telefones (55) (91) 3321-8908 e 3321-8909.

Referência em inovação na Amazônia

O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.

É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e tem como principal objetivo estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.

Situado em uma área de 72 hectares entre os campi das duas universidades, o PCT Guamá conta com mais de 30 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 60 associados (vinculadas ao parque, mas não fisicamente instaladas), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do Estado.

Membro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (Iasp), o PCT Guamá faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.

Texto: Ayla Ferreira sob supervisão de Sérgio Moraes

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