Marina ou Macron: qual tipo de terceira via Tabata Amaral representará em São Paulo?

Sua associação com o apresentador José Luiz Datena, que pode ser seu vice na disputa, além de buscar trazer respostas para um dos maiores problemas que a cidade enfrenta, a crise da segurança pública, também tem um componente importante para popularizá-la nos bairros de menor renda. Segundo dados do Kantar, que mede os perfis dos telespectadores, o programa Brasil Urgente, da Band, apresentado por Datena, tem como público fiel cidadãos de classe C1, C2 e D, moradores das franjas da cidade. Além disso, um perfil etário mais velho, algo importante para a jovem candidata.

O sucesso dessa empreitada definirá que tipo de terceira via Tabata conseguirá ser na contenda de outubro desse ano. Para chegar ao Palácio Anchieta, não haverá outra hipótese, a não ser conseguir conquistar parcela do eleitorado da periferia paulistana, que tem uma visão de regular para ruim da atual gestão chefiada por Ricardo Nunes e ainda não comprou em definitivo a candidatura de Boulos, que tende a ser impulsionada pela popular Marta Suplicy e por Lula. Os movimentos até aqui parecem acertados, mas a efetividade disso só poderá ser vista mais à frente, quando o eleitor se conscientizar de que terá que fazer suas escolhas.

Sem essa penetração popular, Tabata correrá o risco de repetir Marina Silva, quando de sua primeira candidatura presidencial. Candidata pelo PV, à época, Marina surgiu como uma terceira via, com posições políticas marcantes e um discurso ambientalista moderno para a época em que o tema sustentabilidade ainda não exercia o papel de protagonismo que possui hoje. Amealhou quase 20% dos votos e saiu muito maior do que quando entrou na disputa. Entretanto, Marina ficou restrita ao chamado “voto de opinião”, alcunha dada de forma preconceituosa para o voto das classes mais altas. Para Marina faltou chegar ao povo. Suas ideias ficaram restritas a uma parcela da população que não é capaz de eleger majoritariamente nenhuma candidatura.

Sonho de muitos marqueteiros políticos, a estratégia Macron é a definição de sucesso de uma candidatura de terceira via. O movimento En Marche! liderado pelo presidente francês Emmanuel Macron, de caráter social liberal foi criado para juntar esquerda e direita e propor um renascimento da política francesa. O plano era polarizar contra a polarização do Partido Socialista e da direita liderada por Le Pen. Mostrar que havia um caminho de consenso melhor para os franceses e que superava as amarras ideológicas. Sua construção se deu por duas formas: a primeira como um polo que rejeitava o binarismo do atraso e a segunda no debate sobre o medo. Apoiou-se na rejeição de Le Pen para mostrar aos eleitores de esquerda que somente ele poderia vencer a candidata ultradireitista, que gerava bastante dúvidas sobre suas ideias e capacidade de implementá-las.

Marina ou Macron: qual tipo de terceira via Tabata Amaral representará em São Paulo?

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