Índice de Orgulho e Confiança é negativo em Goiânia

Pesquisa inédita realizada pela Grupom Consultoria e Pesquisas em parceria com o Diário de Goiás, abordando índice orgulho e confiança (IOC) dos moradores de Goiânia, em 8 regiões eleitorais do município, aponta que há mais indivíduos que têm uma imagem negativa da cidade do que os que têm imagem positiva.

Nesta nova metodologia, a partir do questionamento sobre a probabilidade de o cidadão recomendar a seus amigos e parentes para investir ou morar em Goiânia, a resposta negativa é dos detratores (34,3%) enquanto a positiva é dos promotores (25,3%). Já os indivíduos neutros (40,4%) não estão nem um dos pólos opostos.

Segundo o cálculo da equipe da GRUPOM, o IOC varia de -100 a +100 e é calculado pela subtração do percentual de promotores e detratores. Assim, o índice de Goiânia é de -9, mas pode variar conforme a estratificação (Veja mais abaixo). Foram entrevistadas 5.239 pessoas de Goiânia.

O IOC avalia o humor do eleitor no ano das eleições municipais e dá muitas pistas sobre as estratégias eleitorais a serem empregadas pela situação ou pela oposição. Na parceria com o Diário de Goiás, a GRUPOM está coletando dados das 30 maiores cidades de Goiás para avaliar o sentimento dos moradores destes municípios.

Maios insatisfeitos estão na Centro-Norte e a sudeste é mais satisfeita

E na região Centro-Norte, com 20% dos eleitores goianienses, a pesquisa inédita Grupom/DG revela que a insatisfação é a maior entre as regiões pesquisadas. Nela o IOC ficou em -13,6%. Fazem parte: Bairro Capuava, Bairro Dos Aeroviários, Residencial Balneário, Setor Aeroporto, Setor Campinas, Setor Central, Setor Centro Oeste, Setor Coimbra, Setor Criméia Leste, Setor Leste Vila Nova, Setor Negrão De Lima, Setor Oeste, Setor Urias Magalhães.

Chama a atenção na pesquisa Grupom/Diário de Goiás que o menor IOC, de -3,6%, representando avaliação negativa, mas a menos negativa, veio da a região Sudeste (11% dos eleitores). A região é formada pelos conjuntos habitacionais Aruanã, Riviera, Jardim Novo Mundo e Parque Atheneu. Também pelo Setor Leste Universitário e por loteamentos privados de classe A como Alphaville Flamboyant e Portal do Sol. Ou seja, ainda que não represente uma avaliação positiva, foi onde os entrevistados menos resistiriam a recomendar amigos e parentes a morar ou investir em Goiânia.

Na Região Nordeste de Goiânia, com 10% dos eleitores, o IOC foi de -7,6%. Fazem parte dela: Bairro Santa Genoveva, Jardim Conquista, Jardim Guanabara, Loteamento Goiânia 2, Residencial Aldeia Do Vale, Residencial Alice Barbosa, Setor Jaó, Vila Jardim São Judas Tadeu.

Na região Noroeste, com 14% dos eleitores, o índice foi de -7,3% Os bairros da região são: Arco do Triunfo, bairro Boa Vista, jardim Balneário Meia Ponte, jardim Curitiba, jardim Nova Esperança, residencial Orlando de Morais, residencial Recanto do Bosque, setor Estrela Dalva, setor Noroeste, vilas Finsocial e Mutirão.

No Extremo-Oeste da capital, o IOC ficou em -11,3%. A região concentra 4% do eleitorado nos seguintes bairros: Condomínio do Lago, conjunto Vera Cruz, parque Eldorado Oeste, residencial Jardins do Cerrado, setor Carolina Park, setor Maysa. A região concentra o maior número de detratores. Nela 38,7% nunca recomendariam Goiânia.

Já na região Oeste, com 5% do eleitorado, o IOC ficou em -12%. A região é formada por: Bairro Jardim Botânico, Jardim Eli Forte, Jardim Itaipu, Loteamento Lorena Parque, Madre Germana, Setor Cristina, Setor Garavelo. A região é a segunda em número de detratores, com 38,2%.

Enquanto isso, na região Sul, que concentra 16% dos eleitores goianienses, o IOC apurado foi de -6,9%, apurou a pesquisa Grupom/Diário de Goiás. Dela fazem parte: Jardim América, Nova Suíça, Jardim Goiás, Parque Amazônia, Setor Bela Vista, setores Bueno, Marista, Pedro Ludovico e Sul.

Em situações extremas, entrevistados com curso superior, os que têm maior renda (mais de 6 salários mínimos) e os desempregados se destacaram na avaliação negativa. Dos entrevistados nestas faixas, o IOC foi de -13,7% por escolaridade superior, enquanto foi de -12,7% entre aqueles de salários maiores e de -18,7% dos desempregados, praticamente o mesmo resultado entre quem mora a menos de 1 ano em Goiânia.

Para os responsáveis pela pesquisa, os recém-chegados, os que moram a menos de um ano (IOC 181%), “não recomendam a cidade porque chegam com expectativa de resolver todos os problemas imediatamente”. Já os que moram entre 13 e 20 anos (IOC -12,1%), são os que comparam e não gostam daquilo que a cidade se tornou, por isso não recomendam Goiânia.

Avaliação positiva do ensino fundamental

O resultado vai contra a inusitada avaliação positiva vinda dos que têm ensino fundamental, que recomendariam a cidade. O IOC do grupo foi positivo de 12,9%. E a rejeição dos que têm menor salário (1 mínimo), foi a menor, com -1,4%.

Mário Neto enfatiza que o acesso ao conhecimento obtido com a escolaridade e melhores condições de vida por salários melhores, explicam um nível maior de exigência e de conhecimentos sobre direitos e deveres dos órgãos públicos em relação à cidade. Consequentemente, isso leva a uma baixa avaliação pelo eleitor com diploma superior, a despeito dele ser o melhor estabelecido. “São pessoas mais críticas com percepção e expectativas mais altas de que a qualidade de vida deveria ser melhor”, observa.

Adultos fazem mais comparação da cidade atual e do passado

A análise por faixa etária também está relacionada às expectativas. Porém, ligada ainda mais ao comparativo do que Goiânia era no passado recente. Por isso, o pior IOC ficou entre os entrevistados entre 55 e 64 anos, com -16,9%. “Nesse caso, as pessoas avaliam mudanças, por exemplo, como as ocorridas no comércio da região Central, de Campinas, de pontos como a Avenida Bernardo Sayão, onde o fluxo era bem maior no passado de Goiânia”, pondera.

No caso das entrevistas por sexo, chamou a atenção a avaliação feminina. O dobro de homens (-12,1%) não recomendariam a amigos e parentes investir e morar em Goiânia, em relação às mulheres entrevistadas (-6,3%).

Mário Neto destaca que as mulheres estão estudando mais e abrindo mais oportunidades no mercado de trabalho de Goiânia.  “Elas também têm mais acesso a auxílios governamentais, o que estimula uma visão mais pragmática e que elas queiram criar os filhos aqui”, analisa.

Entenda o que é o IOC

O IOC regionalizado é um algoritmo, um indicador estatístico criado pela Grupom a partir de uma tecnologia artificial, cruzada com dados do Censo, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de locais de votação, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O IOC é um indicador que avalia o quanto a população tem orgulho da cidade em vive e se confia que a cidade é um bom lugar para se viver hoje e no futuro.

Os responsáveis técnicos pela pesquisa, Mário Rodrigues Filho e Mário Rodrigues Neto, explicam que o levantamento é realizado a partir de uma escala de valores que vai de 0 a 10.

Os que indicam notas de 0 a 6, são os mais insatisfeitos e chamados de detratores, “os que têm baixo orgulho e não confiam na cidade”. Já os que respondem com valores de 7 a 8 são neutros, mas não totalmente insatisfeitos. De 9 a 10, são os entrevistados que estão satisfeitos, chamados de promotores. São os que recomendariam Goiânia a seus amigos e parentes.

O IOC é a subtração do percentual de promotores e detratores e pode variar de -100 até 100.

Dados da pesquisa Grupom/Diário de Goiás

Foram realizadas entrevistas com 5.239 eleitores de Goiânia, homens e mulheres, acima de 16 anos.

O levantamento da Grupom buscou respeitar a proporção da população em relação às variáveis sexo e faixa etária, segundo dados do eleitorado de julho de 2023 disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As regiões para as entrevistas foram escolhidas a partir de dados do Censo, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de locais de votação, disponibilizados pelo TSE, cruzadas em tecnologia artificial.

A pesquisa foi realizada entre outubro e dezembro de 2023. As respostas foram colhidas de forma híbrida, com parte presencial e parte por questionários autorrespondidos por meios digitais.

Chama a atenção que o menor IOC, de -3,6, veio da a região Sudeste, formada pelos conjuntos habitacionais Aruanã, Riviera, Jardim Novo Mundo e Parque Atheneu. E também pelos loteamentos privados de classe A, Alphaville Flamboyant e Portal Do Sol, além do Setor Leste Universitário.

Com a colaboração de Marília Assunção, na redação e edição.

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Altair TavaresAltair Tavares

Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: [email protected] .

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